O pessoal comentou bastante sobre A Grande Biblioteca Universal de Xirontur. A intenção era dar um tom bem humorado a historia e acredito que consegui. Explicando aos que não sabiam, a biblioteca tem ligação direta com minha campanha atual. Colocá-la no meu blog não foi desproposital. Apesar de a idéia ser interessante.

Aqui vai um texto que introduz a Classe Prestígio Guardião de Xirontur. Meus jogadores vão reconhecer certos nomes. Obvio, eles estão relacionados à campanha deles.

Tarakas era um Goblin que se considerava empreendedor. Tinha a única taverna é kilometros e kilometros de distância de qualquer outra. Poderia cobrar o preço que quiser e não haveria problemas, não haveria concorrência. O Lar na Areia, nome da taverna é uma alusão direta a sua localização. No meio do deserto.

Sim, sim… Não parece muito esperto. Pelo menos quem vê a primeira vista. Mas Tarakas construiu sua taverna ao lado de um imenso oásis aonde cuidadosamente tratou de por dois esqueletos bem convidativos. Ele olha para os desatentos visitantes que bebem da água da pequena fonte e grita: Meu Deus! Vocês vão morrer como os outros (aponta para os esqueletos), existe algo de errado com a fonte, não façam isso!!!

Normalmente Tarakas salva a vida deles com seu “antídoto milagroso” que os deixa imunes do veneno e com uma baita dor de cabeça (Tarakas jura que a dor de cabeça é um efeito do veneno, ainda bem que eles beberam a tempo!). Depois, obviamente, cobra por suas bebidas e até mesmo se for água. Afinal… Nada mais justo para quem lhes salvou a vida.

Pouco se sabe por que em nome dos deuses, Tarakas ainda vive depois de rir da cara e ganhar dinheiro nas custas de tanta gente. Seus lendários mapas do tesouro dados por seu avô e seus mapas que guiam para próximos oásis maiores e seguros são lendários. Incrível é que ninguém até hoje voltou para prestar contas o que indica que ou ele tem muita sorte ou ele é muito bom em enganar as pessoas…

A única vez que vi Tarakas sério foi na visita de alguns amigos aventureiros. Já conhecidos e por isso mesmo, não mais vítimas do goblin engraçadinho. Seu tamanho pequeno e seus dentes afiados e amarelos estavam sempre sorrindo. No encontro de amigos antigos (todos aqueles que ele não conseguia enganar, acredito eu) ele os recebe sempre de forma cordial e lhes serve sua melhor água e bebida alcoólica do momento (Não. Ele vai cobrar depois, acredite) e os enche de belas e mentirosas histórias. Muitos não sabem o que veio primeiro, a imaginação do goblin para suas histórias ou sua capacidade de ser tão, tão, aproveitador.

Muitos dizem que Tarakas só conta essas histórias para enganar seus clientes, distraí-los enquanto bebem até cair e depois lhe cobrar preços exorbitantes por um copo de vinho ou cerveja qualquer… Prefiro não me manifestar nesse ponto. Um deserto é misterioso e tão cheio de historias que não consigo às vezes acreditar que tudo que ele conta seja falso. Como sua história do homem que veio do nada. Jamais me esqueço…

Juro para vocês! Por minha mãe que já morreu e por cada irmão dos 12 que tive. Principalmente meu irmão mais velho Tuhn, o que lhes disse que às vezes vem me visitar, aquele maluco… – Disse Karatas.

Estava eu lavando minhas panelas na fonte quando do nada sinto o vento do deserto contra mim. O vento não muda da forma que muda no deserto sem trazer ou boas ou más notícias. Isso vocês sabem muito bem companheiros!

E então um clarão surge do norte e uma porta de luz surge como um imenso olho de gato se abrindo e de lá surge a figura que vou lhes contar…

Ele parecia ter uns 50 anos, um humano. Barba começando a crescer, usava uma roupa negra com adornos dourados, usa um cinturão com um símbolo que continha desenhada uma daquelas penas de se escrever nele. Poderia lhes parecer um sacerdote de um deus qualquer até ai, mas vejam bem! Usava um capuz escuro, em seu final uns adornos dourados acompanhando o resto da roupa. Em seu pescoço uma pedra preciosa em forma de estrela, verde e maravilhosa. Mas o que me assustou foi a espada

Sacerdotes podem usar espadas? Perguntei-me… Ela parecia de vidro, sua lâmina era transparente, mas em sua base havia ainda metal. Quando o estranho surgiu do nada eu jurava que havia a visto brilhar como o próprio maldito sol do deserto…

A figura imponente saiu do nada e veio até mim. Espada em punho, mas para baixo. Quando chegou perto de mim colocou-a em sua bainha. Um lindo adorno dourado de um sol na ponta. Sobre o capuz seus olhos me olharam analisando de perna a cabeça. Senti-me um coelho sendo observado por um tigre. O que ele queria?

Foi ai então que ao olhar para o lado e abaixar o capuz deixando transparecer seus cabelos arrumados, mas já um pouco brancos pela idade ele me disse o que jamais me esquecerei:

Olá! (estende a mão esperando um comprimento), Meu nome é Borour. Você vai achar estranho eu perguntar isso, mas (recolhe a mão depois de ver que o goblin não o cumprimenta)…

Você poderia me dizer em que mundo estou?

Normalmente alguém ri depois disso ou se pergunta resmungando por que o goblin conta essa história. Talvez essa seja verdadeira, eu acredito. Por que é a única aonde Tarakas não termina salvando o mundo ou vingando a morte de uns dos seus 12 irmãos…

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