Normalmente mando pequenos textos falando de historias paralelas, mas que tem de alguma forma haver com a história original que conto para todos os meus jogadores. Escrevi esta nessa intenção, mas por erro de revisão errei o que deveria ser lâmina por espada, que faz muita diferença…

São mais de 6 textos até agora e esse é um texto a parte que ajuda a revelar um pouco do enredo da minha campanha. Até agora somente meus jogadores tiveram o prazer/desprazer de le-los. Mas devido a esse erro ridículo que estragou um pouco a lógica do climax final vou reapresenta-lo aqui com cortes que achei depois mais interessantes.

Polvora, Sangue e Justiça

Existem somente dois tipos de Deuses. Ha deuses que nasceram deuses, Deuses Verdadeiros, que são entidades poderosas com sua origem inexata até para os mesmos. Existem também os deuses que consquistam esse status através do poder da fé, são Deuses Menores. Seres poderosos, mas não tanto quanto a Deuses Verdadeiros e que dependem da fé de seus fieis para ter os poderes divinos que tem, mas se são o que são, com certeza não são meros mortais…

Occan foi um Deus Menor. Era uma mago poderoso, o mais poderoso dos magos de seu mundo. A magia fluia nele como o sangue nas veias dos seres humanos, que o tornava alguém muito além do status heroico… Contudo, poder demais pode subir a cabeça daqueles que o possuem e Occan tentou se tornar um Deus Verdadeiro.

O sacrilégio foi tal, que os Verdadeiros Deuses forjaram uma lâmina mística inigualável, mas pequena como uma adaga, uma grande ironia para mostrar realmente quem são os “verdadeiros deuses”. Uma Arma Matadora de Deuses. Não de Deuses Verdadeiros, esses jamais poderiam ser mortos, mas Deuses Menores que como Occan, que acreditavam poder superar aqueles que são maiores que eles.

A lamina deve ser impunhada por um servo, fiel religioso ou criatura da propria raça desse Deus e caso atingida a divindade, sua existência e status divino serão negados e ela desaparecerá para todo sempre. Depois de Occan não se ouviu mais falar sobre Deuses Menores rebeldes e a lâmina que é capaz de eliminar deuses ficou conhecida somente em lendas e se perdeu nos mundos, sendo chamada de A Navalha de Occan.

Os desertos nunca foram os locais mais agradaveis para se viajar, isso é verdade. Mas Targus Olhos de Furia, um taurino, não se importava muito. Seu corpo doia, o frio da noite congelava seus ossos mesmo debaixo de sua pelagem. As dunas, antes obstaculos simples, pareciam montanhas titânicas dignas de aventuras lendárias. Mas Targus não era um heroi. Ele não voltará mais para Uldum e jamais fará novamente pactos com os servos da desprezível rainha branca.

Desenganado e sem direções para seguir Targus percebeu que não tinha para aonde ir, pois dedicou os ultimos anos de sua vida a caçar alguém quem nem ao menos deveria ser caçado. Agora, sem objetivos, desaparecer no meio do deserto parece-lhe o mais digno a fazer…

A ultima duna pareceu interminável. No topo, zonzo de cansaço e frio, Targus cai para trás ao observar a figura translucida de uma mulher humana, jovem e de longos cabelos negros. O manto não cobria perfeitamente suas partes intimas e sua pele branca e aparentemente o manto era a unica coisa que ela possuia. Seus olhos eram de uma imensidão negra assustadora, que fizeram Targus vacilar quando olhou para eles. Ali, no topo da duna, como uma estatua dedicada a um heroi, ela olhava pra ele, com seus olhos cheios de escuridão e mistério…

O taurino retira seu bacamarte e atira com ele com a mesma velocidade e simplicidade com que se tira um objeto do bolso. O estrondo explosivo do bacamarte ilumina a escuridão do deserto, mas nada acontece. fantasmas jamais serão tocados pelo fogo da polvora.

-Não tema, Targus Olhos de Fúria, irmão de Krotar, Olhos de Falcão. Existem formas mais dignas de morrer, assim como formas mais dignas de reparar seus erros. A historia do mundo pode ter reservado um espaço para você em suas paginas…

-Quem é você fantasma!!! Foi mandanda pela rainha branca para me pegar! Diga! – Disse Targus aturdido pelas palavras do enigmático espirito…

-Venho de longe para pedir sua ajuda, para ajudar aqueles que eram seus inimigos. Aqueles que te chamavam de GahVar, inimigo do Gah, precisão agora de você como GahVir, que são os aliados…

– O que? Eu um GahVir? Eu matei um de vocês minha senhorita! Não seja louca! Por que em nome da Mãe Terra eu seria escolhido para ajudar vocês!?! – Quase que gritando loucamente enquanto recarregava seu bacamarte, mesmo que sabendo o quanto em vão seria isso…

-Por que a origem de todos os problemas vem de alguém que quer reparar seu proprio erro, Targus… Mas não pode fazer sozinho… Existem fardos que são grandes demais, até mesmo para ele… Todos devem ter uma chance e os ultimos Viajantes da Fogueira estão ai, vagando pelo mundo para encontrar a resposta. E na hora certa, vocês, os GahVir, deverão ajuda-los, trazendo algo que será de sumária importancia para o começo ou fim de tudo…

O Taurino começou a rir loucamente, como se uma piada suja acabasse de ser contada, E era. Ele estava em um deserto discutindo sobre o recomeço ou fim do mundo com um fantasma… Seria aquilo uma miragem?!? Difícil… Ele a muito descobriu que sobre os Viajantes e a Fogueira nada é coincidencia. Providência seria a palavra correta, sutil, mas ela está lá. Assim como sabia a divida que tinha com Smith, um Taurino que perseguiu sem ao menos perceber que estava sendo manipulado…

A gargalha de Targus ecoou sozinha e majestosa pela imensidão do deserto e a ludica visão de um Taurino em pé quase ao topo de uma duna rindo a frente de uma fantasma poderia ser guardada na memoria de muitos como um fato vindo de um sonho.

-Então o que quer que eu traga a eles Mulher Fantasma? – Falou derrepende, mas com convicção.

-No inferno? Nas profundezas do mar? Aonde pedir eu irei, em honra daqueles que morreram por minha culpa.

O deserto se silenciou e os ventos, que mais lembravam um lamento, foram ouvidos. Era frio o deserto, mas era sobre polvora, sangue e justiça que estava sendo feito aquele dialogo. Não há espaço para frio naquele momento…

-Escute bem Targus, Irmão de Krotar. Quero que vá e encontre outros que são destinados como a você a serem GahVir. O destino, como o vento desse deserto te conduzirá. E no final, reunidos, quero que busquem para os viajantes um artefato…

-Que artefato? Fale Mulher Fantasma!

Uma lâmina…