Motoqueiro Fantasma 2099. Sempre quis jogar com ele, um dos meus herois prediletos (apesar de muito mal aproveitado…)

A Matilha vai começar uma campanha de Gurps Supers e eu, empolgado, resolvi falar de um tema que a muito estou devendo comentar aqui, que é exatamente sobre Regras no RPG (Calma, calma, vocês vão entender a relação dessa doideira).

Ok, ok, quem me conhece, nem que seja um pouco, sabe que para mim todas as regras poderiam ser opcionais. Sou extremamente chegado ao improviso e interpretações, mas obviamente, não vou desmerecer os méritos que se ganha com regras…

O fato que vou relatar e que tem haver claramente com a minha opinião sobre Regras de RPG, tem haver com meu começo no mundo do mesmo. Meu primeiro mestre, Jefferson, jogou AD&D quando era mais novo e quando o conheci no Primeiro Ano do que era Segundo Grau na época pentelhei ele bastante para conhecer aquele jogo. Sem livros básicos e eu cheio de curiosidades, usamos mais ou menos as regras de AD&D mais um pouco do nosso improviso.

Acredito que muitos e muitos jogadores na falta de um livro básico no momento já fizeram isso. Mestraram “livres”, sem estarem presos as regras. Como estavamos fanáticos por Comics Americanas na época criamos então nosso RPG de Supers… A idéia era super simples (que trocadilho enfame…).

Apesar de usarmos os mesmo atributos e métodos de rolagem para fazer os mesmos de AD&D, não o usavamos na partida. Somente duas coisas realmente eram usadas. A tendência, que diria qual a personalidade do personagem e uma rolagem de 2d6 que escolheria o nível do poder escolhido pelo personagem. Assim, com essa rolagem aleatória (e meio maluca confesso) poderiamos medir se fulano era capaz de fazer isso ou aquilo, mesmo que por critérios meio duvidosos…

Jogavamos livres, eu mestrava e eles agiam, e a unica coisa que nos regrava era o bom senso (que em jogadores inexperientes nem sempre está presente), nada de rolagem de danos, rolagens de acertos ou coisa assim. Se eu falava que acertou, acertou. Se não acertava é por que o cara era mais rápido ou alguma coisa e os jogadores deveria imaginar outra solução. E esse “Imaginar” que é o fantastico de jogar sem regras…

Jogando sobre regras muitos jogadores iniciantes (e até alguns experientes) não desenvolvem sua capacidade total de interação, jogam de forma muito mecânica e até irreal. Aqueles que como eu e meus colegas Marcio e Jefferson, que tiveram essa experiencias são jogadores que eu chamaria de “perigosos”(levando para um bom sentido da palavra). Um pouco parecido com um comentário de alguém da Matilha, agora não me lembro quem, falando como já eram experientes e a historia “fluia sem a necessidade do mestre”. O que é grande verdade, meus jogadores tiveram a oportunidade de jogar comigo como jogador e tenho certeza que eles podem lembrar que se o mestre (O sapo) não mostrasse um caminho e já estaria indo para um…

Jogar sem regras exercita poderosamente a imaginação e jogos de RPG aonde suas regras prendem demais o jogador podem ser até nocivos a verdade do que é o RPG. Certa vez pensei em começar esse assunto com o seguinte dialogo:

Dois religiosos sentados em um banco de igreja:

-Olha Pedro, você percebeu o que aconteceu ontem lá na rua. Eu fiquei louco, corri atrás daquele idiota que roubou a Paula, sorte dele que ele escapou.

-Ta bom João… E se ele sacasse uma arma para você?!? Nem que seja um canivete?

-Eu ia pra cima dele! Estava com tanta raiva que dava um soco na cara dele, quero nem saber…

-Ok, você dava um soco, mas será que antes o canivete te acertar sua anta?!? Ok, você acerta o soco e se ele não cair?!?

-Bom… ai eu corro! (risos)

Ok. Não há livros básicos. Não há ninguém realmente jogando RPG alí. Mas RPG não se resume a algo parecido com isso?!? Eu jogava um Gurps Supers sem regras e mestrar algo assim (e eu mestrei muito, joguei praticamente todos os dias durante todo o meu o primeiro ano) se parece muito com o dialogo acima.

Fico triste quando faço algo e meus jogadores me repreendem com algo do tipo “acho que tal coisa não é assim, no livro tal, página tal”, bom talvez agora eles saibam por que eu fico claramente nervoso. Quando jogo, não penso, estou jogando uma campanha de D&D ambientada no mundo de Warcraft… Eu penso: Estou mestrando minha campanha heroica aonde meus jogadores devem descobrir um mistério que pode (ou não…) salvar o universo, que é um tema clichê “crassico” de fantasia.

Não me apego as regras e sim as possibilidades, e se os jogadores tiverem essa mesma visão… Nossa, uma partida de RPG pode fluir de uma forma inacreditável…

Nota 1: Lógicamente, citar qualquer religioso (mas poderia ser um jornalista) genéricamente e só pra sacanear a visão, as-vezes-quase-sempre-deturpada que ainda se tem do RPG, que na realidade é muito mais simples e nada fantasiosa (e satânica) como se acredita que seja…

Nota 2: A excelente foto do Motoqueiro Fantasma 2099 foi feita por Fernando Goni do Estúdio Impacto. Olhem aqui seu portifólio online.