Drizzt Do’Urden e sua pantera extraplanar…

Terminei hoje de ler a primeira trilogia que apresenta Drizzt Do’Urden, um elfo Drow (elfo negro para os que não conhecem) do mundo de D&D Forgotten Realms (Reinos Esquecidos), que se aventura na superfície junto de seus aliados.

Bruenor, experiente guerreiro anão, descendente direto do rei do Salão de Mitral, a maior área aonde pode se encontrar mitral em todo reino. Cattebrie, jovem adotada por Bruenor e Wulfgar, jovem bárbaro que foi treinado tanto por Bruenor tanto por Drizzt na arte da luta e empunha o poderoso martelo Garra de Palas, uma arma fantastica forjada por Bruenor, sua maior obra prima. Eles vivem heroicas aventuras enquanto cada vez mais se percebe que Drizzt renega completamente o comportamento malígno comum de seu povo.

Quando comecei a ler a trilogia, imaginei Drizzt seguindo o estereótipo muito comum hoje em dia do anti-heroi. Sendo ele de uma raça tão malígna, pensei em Drizzt como um bad boy, em alguém com regras próprias e provavelmente longe de ser alguém muito amigável.

Quebrei a cara.

Talvez, não sei, se Drizzt tivesse sido criado mais recentemente, R.A. Salvatore, seu criador, poderia ter se influenciado por essa mania que é hoje em dia, os anti-herois. Mas não, Drizzt é um heroi e talvez seja essa a parte que mais me impressiona no livro, que fugiu de uma espectativa minha, não desagradando pelo contrário, cumpriu muito bem o que propôs…

Mesmo assim jamais pense em Drizzt e seus aliados como herois bonitinhos e 100% certinhos. Eles são herois, são honrados, mas podem ser mortais contra seus adversários como em qualquer mundo de fantasia. É até importante para os jogadores de D&D, que normalmente não recebem pelo menos dos livros básicos muito apoio interpretativo, lerem tais literaturas. A desconfiança e a evolução da compreenção de Wulfgar sobre o mundo e sua verdadeira face ou a crise existêncial e a busca de aceitação das pessoas de Drizzt, estas que são tão diferentes e ao mesmo tempo tão parecidas com o Drow.

Como eu havia dito, Drizzt só aparenta ser mal…

Drizzt é um heroi para mim importante, por que além de poderoso, herdou aquilo que os Elfos Drows fizeram quando se recolheram para seu mundo subterrâneo, Menzoberranzan – adoro esse nome, tenho uma teoria que assim como muitos biólogos, os fanáticos por fantasia deliram falando esses nomes estranhos para os desconhecidos não entenderem – eles renegaram o sobrenatural e abraçaram a razão. Drizzt é muito inteligente e essa é a qualidade que salva Drizzt muito mais que suas duas cimitarras…

A cada capítulo, o autor extrai um texto que parece vir das memórias de um diário escrito por Drizzt e ai, R.A Salvatore ganha todos meus créditos aproveitando a mente lúcida do Drow para discutir assuntos filosóficos, políticos, existenciais, todos eles fazendo um poderosos paralelo com nossa propria realidade. Fiquei impressionado quando percebi que Drizzt nas entrelinhas falava sobre socialismo, e varios outros temas que eu não imaginaria surgirem em um livro de fantasia…

Mas ha ainda coisas bem estereotipadas. O anão bruenor, é um anão em seu estereótipo mais comum e mesmo se diz de Wulfgar o barbaro. Mas o estereótipo não cansa e os personagens tem bastante vida, o que alivia um pouco essa visão clássica que foi criada dos dois…

Pessoalmente para mim, o primeiro livro é o melhor, seguido do segundo. O terceiro é bom, mas a origem da Garra de Palas que fica no primeiro livro para mim é um momento único. Nunca vi o ato da forja, mesmo sendo ela mágica, ser descrito de forma tão fascinante como da forma que foi.

A unica coisa que me irrita é uso excessivo das paradinhas no texto para gerar impacto. As vezes chega a ser irritante. Não entenderam? Eu explico…

Exemplo:

Os guerreiros foram corajosos e desafiaram o destino que era certo para a maioria dos que enfrentavam tais criaturas.

E eles venceram (famosa paradinha).

Deve haver um nome para esse recurso, mas se alguém souber, por favor me avise o nome.

Resumindo. Uma Trilogia que não cansa como Senhor dos Aneis e surpreende por apresentar certos aspectos de personagens e textos (como os diários de Drizzt) interessantes. Peca também, mas acredito que ha mais créditos que débitos. Na dúvida, comprem a Estilha de Cristal, nome do primeiro livro da trilogia. Vocês vão gostar.