Estou a umas 200 páginas (pouco para um maníaco como eu…) de terminar o último dos 7 volumes que compõem a épica saga de Roland Deschain e sua Torre. A Torre Negra. (paradinha em homenagem a R.A Salvatore, que não morreu, mas está sendo zoado no exato momento). Pensando na obra de Stephen King, em tudo que ele fez pela obra e a possível idéia dela ser um obra caça-níquel, percebi como estava sendo imbecil em raciocinar dessa forma…

Sempre achei incompreensível a forma retrograda que os críticos de arte olham o mundo que tanto… Criticam… Me parece que eles pararam no tempo. O rock não é estilo musical, Stephen King, Dan Brown e muitas vezes a própria Literatura Fantástica em geral são lixo literário. Mesmo Harry Potter pode ser mencionado (meus ancestrais vão se contorcer no tumulo…). É como ignorar um elefante cor de rosa dentro de uma sala de estar…

Será que o novo não tem espaço? O mundo muda, mas eles devem ficar ali, naquele mundo antigo? Será que tudo que é atual deve ser necessariamente lixo? E mais… Ganhar dinheiro pelo que se escreve é errado? Um bom escritor deve morrer de fome, na miséria, como os antigos escritores que conhecemos?

Fico com medo de perguntar, por que conheci em minha época de pré vestibular pessoas incríveis que escrevem de forma tão natural como respiram ou trocam de roupa e hoje são estudantes brilhantes de letras ou filosofia, mas que tinham infelizmente essa opinião. Oh sim, sempre curiosamente, fiz amizade com o pessoal da área de letras e de exatas. Dois mundos um pouco distintos, talvez por isso eu impressionasse tanto ao interpretar um texto tão bem e calcular senos e co-senos de ângulos…

Será que se sua escrita agrada gostos mais populares você está fadado a ser um escritor medíocre? Sempre tive aversão a tudo que é muito pop, que fica muito falado. Mas o porquê de me irritar é essa falação. Mas não significa que eu considere aquilo um lixo artístico. Só não gosto por birra infantil, é a vida…

Lembro de uma ex-sogra (título sinônimo a talvez, ex-algoz, ex-vilão e coisas do tipo :D) que me falava que odiava Jorge Amado por que suas historias giram em cima dos mesmos personagens. Quando peguei para ler A Morte e A Morte de Quincas Berro D’Agua, já olhei com certo preconceito. E me assustei.

A historia do livro (que tenho que contar, senão o motivo da minha surpresa não será devidamente bem explicado) conta como um homem correto, de uma família conservadora, de emprego estável, abandona tudo para se tornar um boêmio, uma vagabundo, a jogar, brigar, embebedar-se e sair com prostitutas…

Quincas morre logo no primeiro capitulo que pelo menos é sua primeira morte. Repudiado pela família que o abandonou, só lamentam sua morte seus amigos de farra, pessoas que compartilharam com ele sua alegria e sua liberdade que conquistou abandonando toda uma sociedade e estilo de viver.

Após o suposto velório fica confuso (em minha opinião por intenção do autor) se Quincas simplesmente ressuscita para fazer mais uma “farra” pela cidade com os amigos ou se levam simplesmente o morto por ai (a primeira na realidade é a alternativa mais plausível). Apos uma grande bagunça, Quincas vai para o mar e se joga ali, para nunca mais voltar. “Morro quando bem entender”, foi mais ou menos assim que disse Quincas.

Quincas era tão livre que escolheu até mesmo como morrer. Seu espírito livre era tão grande a ponto de voltar só para morrer da forma que queria… Fico pensando se eu ouvisse minha ex-sogrinha se eu teria lido algo tão profundo…

Por que será que queremos tanto que nossos artistas preferidos morram? Será que só quando o homem se sente um lixo é que aquilo que ele escreve não será?