A ideia do FUDGE ( Freeform Universal Do-it-Yourself Gaming Engine) que traduziram como Sistema de Jogo Adaptável, Universal e Faça-Você-Mesmo é dar liberdade do mestre criar o que você quiser dentro de uma lógica de criação, um meta-sistema que permite criar um sistema com a sua cara ou a do seu tema de rpg.

Todo mestre que joga a muito tempo um sistema, a muito tempo RPG, chega sempre a um estado aonde começa a brincar com as regras do mesmo. Fora algumas excessões, no começo os mestres são bem inflexíveis quanto a regras que depois acabam por cair por terra. A convivência com as limitações do sistema faz com que você passe a ser mais crítico e quando percebe, já está criando ou adulterando regras. Não a nada de errado com isso.

Mas outra verdade é que o mestre normalmente tenta adaptar algo que vê ou lê para seu sistema predileto, mas nem sempre se sai como quer. A dinâmica das rolagens, as regras com atributos, tudo pode ser alterado obviamente, mas eu pelo menos, prefiro simplesmente fazer algo novo com base de um sistema que absorve com mais facilidade a ideia do mundo/tema.

3D&T em seu auge (antes dessa versões turbinadas, bombadas, boladonas ou sei lá mais o que) logo depois do sagrado Manual Vermelho, sempre me pareceu um jogo perfeito para você fazer uma grande mistureba generalizada, unindo tipos de qualquer lugar sem ligar pra certos detalhes. Os danos são genericos então o Pistoleiro e o alienigena de Vorgon lutam de igual para igual, como nos animes.

Em D&D, um carinha com uma Adaga e um outro com Espada Longa ficam em uma situação de combate direto desigual. Mas não estou aqui entrando mais a fundo nos méritos mais verdadeiros da coisa, fico muito irritado com as discussões monge versus guerreiro, mago versus druida ou coisas do tipo, como se uma historia de RPG fosse Street Fighter e todo mestre colocasse os jogadores e inimigos frente a frente o tempo todo como em uma rinha de animais (usuários RPGistas do orkut fazem muito essa bobagem)…

Eu estou a muito tempo cheio de ideias para historias, mas ainda não havia achado o sistema correto, nenhum em especial. FUDGE dará para mim a medida certa para isso. O interessante é que licença do FUDGE é aberta, desde que você coloque os devidos avisos na capa do seu documento oferecido, o sistema pode ser mexido e remexido como quiser. Isso é muito bom!

Melhor ainda que já traduziram o Fudge para português! O site FUDGEBRASIL, traduziu e disponibilizou a versão em inglês, português em pdf, versão html arquivo, visualização online e ainda texto do tipo .doc e se der mole, sinal de fumaça e morse!. Lá, ha dois cenários disponibilizados já adaptados para o FUDGE. Um é sobre Harry Potter e outro bem… O outro é sobre (pasmem…) o Carga Pesada. Sim, isso mesmo! Antonio Fagundes e suas aventuras como caminhoneiro pelas estradas do Brasil (Insira aqui sua piada sobre o tema…)!

No livro que esta disponível na sessão de Downloads do FUDGE (junto com o Carga Pesada :D) e a única coisa que senti falta no site, fora a aparencia feinha (para quem percorre o obscuro caminho que Linux e o Open Source em geral nos leva, até que vai…), é um local a parte, só explicando como pessoas que querem usar o FUDGE devem fazer para quando criarem algo, como essas mesmas mostrarão que estão usando FUDGE (isso é um pré-requisito, a licença é aberta, mas você deve colocar um texto explicando que esta usando como base FUDGE) . Até para mostrar a facilidade do sistema de ser utilizado mesmo sabendo-se que dentro do livro já se encontra.

Diga-se de passagem, fora o sistema de rolagem de dados que é bem interessante (não esta vendo acima o dado simbolo do FUDGE? Isso tem algo haver…) o livro todo é sugestão em cima de sugestão. Mais que isso é interessante observar que FUDGE pode ser usado como um sistema que intermediará uma adaptação para outro sistema. Como assim? Bem, as regras de atributos, das medidas de capacidade, não são utilizados valores e sim palavras como fraco, ruim, bom, mediano… Isso ajuda bastante, um valor em D&D para um mestre pode ser mediano. Quando o mestre já experiente de Gurps pegar esse mediano ele vai traduzir isso para o que é mediano em GURPS. Esssa visão de qualificação e não quantificação se encaixa no primeiro sistema que joguei, que como falei era quase senhuma regra e mais ação.

A parte de dano em FUDGE ficou meio chata e provavelmente vou aproveitar pouco, a explicação de subtração de dano parece meio chata para um sistema que se diz fácil para iniciantes. Bom pros jogadores talvez, pro mestre pode ser meio chato…

O sistema todo é feito das sessões Atributos (que pode até não existir ou tem quanto o mestre se interessar criar, se não quiser deixar os porprios jogadores criarem), Pericias (novamente com sua organização e tipos e custos feitas eplo mestre, mas todas as melhores ideias muito bem sugeridas ali), Bênçãos (as vantages, talentos…), as Falhas (Desvantagens, Defeitos) e a personalidade. Em todas as sessões apesar do livro dar a ideia de como poder trabalhar, ele te deixa bem livre. É você que cria seu sistema, FUDGE será uma simples ferramenta.

O mais legal é que você pode deturpar qualquer coisa sem nenhum problema. Nomes, ordens, o documento te deixa bem a vontade quanto a isso como todo mestre poderia querer. No final (quer dizer, no começo…) é só colocar depois da capa devidamente as escritas legais que são ensinadas a se colocar no proprio livro no começo.

Gostou de FUDGE? Então é só baixar!

Nota: Com a aproximação do retorno de Hunter x Hunter na Shonen Jump vou preparar a minha já adaptada ideia para FUDGE