RPG Big Brother Brasil? Brincando com Reality Shows

Eu ODEIO Big Brother. Fique bem claro antes de qualquer coisas que eu diga. Mas o tipo de entretenimento em si é um fenômeno interessante de se discutir e de se utilizar, tanto de uma forma mais obvia, quanto uma mais sutíl. Do humor ao Horror, da fantasia ao cyberpunk criar uma campanha ou crônica ou aventura ou como queira chamar em cima do conceito de um Reality Show é possível. O que eu vou propor aqui são varias formas de aproveitar o tema ou caracteristicas específicas do mesmo… Esqueça Pedro Bial, Rede Globo ou que for…

Mas o que é exatamente Reality Show?

Buscando um pouco na internet vejo que a explicação mais sensata aparece na Wikipédia Americana já que a brasileira precisa de colaboradores melhores (ou tradutores melhores…). O termo designa uma série de programas que buscam mostrar eventos normais e cotídianos, nada de atores, nada de algo pré definido, os eventos ocorrem naturalmente dentro da proposta.

Obviamente a idéia de naturalidade é muito discutível, no final o grande público assiste o que querem que eles vejam, coisa que é muitíssimo comum nos Big Brothers Brasileiros…

Jogos de realidade (não consigo pensar agora em um nome melhor, sorry…) são reality shows com competições. Ha um prémio e a situação em 98% dos casos é confinamento dos participantes em um local, uma casa, uma ilha (mesmo não sendo isso alguém pensou em Lost?) ou seja lá mais o quê que sua mente doentia pode imaginar… Haverão provas para testar, irritar, premiar os participantes e sempre haverá eliminações até que no final restará um grupo ou as vezes mesmo, um só indivíduo.

Nessa linha os mais famosos por aqui são o antigo No Limite e o Big Brother (ai como eu odeio isso) Brasil.

Brincando com caracteristicas de reality show

reality show trumam

O Show de Truman, o show da vida!

O que há de interessante em um reality show que pode ser aproveitado como tema de uma historia?

Voyeurismo

Tudo bem que o conceito de Voyeurismo é um conceito mais sexual, mas que foi hoje em dia banalizado como “alguém que gosta de espiar outras pessoas” em qualquer situação, não necessáriamente fazendo sequiço!

O fato é que o observador se torna cumplice dos acontecimentos assistidos e se envolve em um nível bem maior que imagina na maioria das vezes. É interessante pra quem não se interessa tanto por reality show observar a reação das pessoas ao assistir tais programas e levarem de forma bem pessoal varias coisas pelos participantes devido a esse “envolvimento”.

Como usar?

Quando vou inserir meus jogadores dentro de uma idéia penso sempre nas 3 pessoas do verbo:

Eu, Nós: Seu grupo diretamente são os que observam. Você mestre deve saber o que dar aos jogadores, se conhecer um pouco deles isso pode ajudar-los a se “envolver” mais com aqueles que espionam.

Tu, Vos: Não será o grupo, mas alguém com que seu grupo irá interagir é que será o voyeur. Aqui o mestre mostra para os jogadores a situação observando a condição do NPC. Uma crítica a coisa toda talvez seja o tema? Ou talvez os jogadores tenham que fazer algo contra a pessoa ou grupo observado que vai contra os interesses de NPC, mesmo que originalmente ele devesse apoiar tal atitude do grupo e só não apoia devido a nível de envolvimento com o observado.

Ele, Eles: Situação interessante (que nesse caso não tem muito haver com a pessoa do verbo eu confesso) aonde seu grupo é que está sendo espiado. O que fazer para lidar com alguém que conhece tão bem (até demais) você?

poster homem que copiava

O homem que copiava. Espiar a vizinha gostosa constantemente… Se ela for gostosa não seria um show de realidade?

Grandes diferenças entre os partipantes

Uma patricinha, uma intelectual, um monge do tibet e um traficante de drogas. O que eles tem em comum? Boa pergunta.

Talvez a unica boa sacada desse tipo de entretenimento é observar esse encontro de diferentes mentes. Vidas postas para competir (ou não) entre si. Quando li a Torre Negra o que mais me chamou atenção era o grupo formado pelo principal, um pistoleiro, um ex-viciado em drogas, um garoto rico de nova york e uma ativista do movimento negro que anda em uma cadeira de rodas e tem dupla personalidade… Como idéias tão distintas convivem entre si?

Uma boa experiência para jogadores texugos ou jogadores inexperientes, principalmente para jogadores que até hoje só jogaram D&D. Façam uma partida, uma oneshot aonde jogadores criam personalidades totalmente diferentes, opostas para ser mais interessante. Quem sabe essas personalidades não estariam já pré definidas pelo mestre para tornar ainda mais maquiavélico divertida?

A proposta aqui é os jogadores literalmente entrarem em choque. Não digo com espadas ou armas de fogo (apesar de eu não duvidar que possa acontecer) mas digo de personalidade e o mestre obviamente deve colaborar para isso.

reality show predador

Nasci para escrever rpgs voltados para humor. Quando vejo imagens assim já tenho idéias bem divertidas… (Nem vou perder tempo falando de onde vem a imagem, o endereço ta ai, na parte de baixo dela…)

Me parece um conceito muito divertido e que devido D&D trabalhar mais a noção de espirito cooperativo a maioria dos jogadores acha que é só ignorar o fato de estar no mesmo grupo que o de um individuo de uma raça ou ideologia que seja impossível de ser “engolida” pelo personagem do jogador…

Obviamente tal proposta exige maturidade de quem joga.

Quem já leu os três romances clássicos de DragonLance sabe como seria um “grupo em choque” e olha que eles nem estavam confinados… Gantz, um mangá de altíssima qualidade tem como principal componente de suas tramas essa situação desconfortável de ter de lidar com gente tão diferente…

Eu ia fazer isso em um post só, mas esta rendendo mais que eu imaginava. Vale lembrar que as idéias mostradas não precisam ser apresentadas da forma exata como foram colocadas. Todo mestre põe seu toque pessoal a coisa. Tudo aqui comentado pode ser misturado, ignorado, agregado a novos conceitos, é tudo com vocês. Só tentei aqui dar um primeiro passo…

Vai haver um proximo post, mas esse simples, discutindo como inserir realmente um reality show em uma historia, indiferente do gênero de campanha…