Me recordo como era em AD&D lidar com os monstros. Sem ND (nível de desafio) para comparação, a maioria dos mestres usava seu bom senso (ou a falta dele) para administrar seus encontros. Nessa brincadeira era muito comum ver grupos sendo dizimados, jogadores mortos era uma coisa rotineira. Quem já jogou AD&D fervorosamente por alguns anos sabe do que eu estou falando, sabe das vezes que reaproveitou fichas por causa do trabalho de fazer uma nova, não?

 

ficha AD&D

Uma imagem da famigerada ficha de AD&D, cliquem nela para ampliar. Reparem lá em baixo o amado Target’s AC, traduzido aqui como TACO. Taco na parede, taco na janela, taco no fogo…

Era uma coisa comum, até hoje é alias, jogadores ficarem contando a vez que seu personagem morreu assim ou daquele outro jeito, algo que parece morbido a principio, mas não era, de tão comum isso se tornava um relato banal, muito divertido até.

Lembro, por exemplo, de uma morte no meu começo de carreira em D&D (o primeiríssimo). Minha primeira aventura aonde fui morto por um Dragão Vermelho que meu mestre como “batismo” colocou para nos matar enfrentarmos. Eu era um mago e fui derrotado (leia devorado) pelo acerto crítico do Dragão, ele havia jogado em cima de mim o corpo de um clerigo amigo nosso que acabara de ser morto por uma mordida dele…

E assim se seguia, era uma época curiosa aonde muitos jogadores auto-suficientes surgiram, mas interpretativos poucos, talvez por isso a birra dos jogadores da linha do WoD com essa galera. Era muito difícil ficar se preocupando com detalhes minuciosos com a historia e atuação do personagem quando você poderia perde-lo nos primeiros minutos de jogo…

 

dragão

Minha primeira morte historia foi mais ou menos assim. O problema era que todo mundo era de nível 1… Ah! E o dragão era vermelho, detalhes…

Dessa época lembro também que surgia os famosos mestres serial killers, psicopatas que se satisfaziam matando jogadores. Não havia muita motivação, você morria quase sempre e acabou. Muitos jogadores dessa época ficavam com a famosa sindrome do mestre-é-meu-inimigo, uma coisa engraçada até. Obviamente esses tipos já existiam e ainda existem, mas nessa época me parecia muito mais comum…

Uma época que passou, ainda bem que temos os Níveis de Desafio não?

Alguém aqui além de mim sente falta de algo daquela época?

Quando se jogava “antigamente” o mundo era selvagem e imprevisivel, você não sabia o que tinha do outro lado da porta, o que você enfrentaria realmente, te dava medo. O jogador sobre essas condições era mais corajoso, diante de uma situação inusitada e muitas das vezes difícil se virava e criava através de sorte e criatividade (senão puro desespero) coisas inesquecíveis.

Os mestres da nova geração me parecem cuidadosos demais. Eles tem medo de ameaçar o grupo e matá-los, acabam tirando um pouco da adrenalina que caracteriza D&D como um rpg de bastante ação. Não estou dizendo para que você mestre, que você deve matar seu grupo sempre para que as coisas sejam divertidas. O que ponho em discussão aqui é que estamos esquecendo que o Nível de Desafio não diz como vai ser sua historia, quem diz como vai ser a historia é você. Pelo menos foi assim que me ensinaram…

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