Mario Kajiya participa desse blog com a coluna do Dr. Orima. E agora além de tentar dominar o mundo, nas horas de descanso ele fez essa resenha para vocês…

Reservei uns 35 reais da minha cota mensal de grana (Não ter renda fixa e ser pobre é um grande empecilho para a vida do RPGista em geral) e comprei o livro “Mutantes & Malfeitores”,  lançado aqui no Brasil há algum tempo pelo editora Jambô. Como eu ainda não arrumei um grupo para testar essa belezinha, resolvi usar minha conta aqui no blog para dividir com vocês minhas primeiras impressões sobre o jogo.

Mas antes de começar a falar do jogo em si, uma pequena reclamação: Lojas de RPG e similares nerds são buracos dimensionais escondidos em grandes centros populacionais. Outro dia fui para a loja física do site “Magic Domain”e fiquei rodando uma hora para encontrar uma portinha escondida que mais parecia um galpão de drogas. E agora, para comprar o M&M tive que rodar um bom tempo até achar a “Moonshadows” em outro canto perdido da cidade. Se eu não estivesse com um amigo, estaria perdido até agora.

Agora que a reclamação está feita, vamos citar os pontos que chamaram minha atenção no livro:

– O livro tem capa mole, e umas duzentas e tantas páginas.  Alguns podem não gostar do formato de capa mole, mas como ajuda a manter o preço reduzido, tem a minha benção. Não gostei das ilustrações do livro. Achei que elas estavam um pouco fracas, e não passam muito bem o estilo de jogo. Provavelmente é questão de gosto,  então fazer o que?

– Alguns termos foram traduzidos de forma diferente do que se vê em livros d20 por aí, mas não é nada que vá matar alguém. No geral, a tradução ficou muito boa.

– M&M não usa classes nem raças. O que temos são os pontos de poder, definidos pelo nível de poder do personagem (Sendo que o nível de poder é basicamente o nível do personagem nesse jogo). Aliás, o uso de pontos para construir o personagem (Talentos, perícias, bonus de ataque e defesa, poderes, resistências tudo é comprado com pontos!) torna a criação de personagens bastante divertida (E me faz lembrar bastante de 3D&T), apesar de me parecer que abre um espaço grande para apelões exercitarem suas habilidades com aquela combinação obscura que o mestre ainda não tinha visto. Você pode comprar desvantagens para aumentar seu número de pontos, o que é uma boa idéia para tornar seu herói mais humano. Só achei que eles podiam diversificar mais na lista de desvantagens, que são poucas.

– Os poderes são ótimos, e contam com uma mecânica de extras e talentos de poderes interessante para que sejam personalizados, permitindo que se atinja uma gama ampla de combinações diferentes. Um ótimo exercício nerd é pegar cada poder e descobrir que personagem inspirou aquele poder.

– O sistema tem várias diferenças de mecânica em relação ao D20 comum. A mais marcante e que me causou certo estranhamento no inicio foi a ausência de pontos de vida. Em M&M são marcados as condições do personagem e a quantidade de vezes que ele foi ferido, através de um teste de resistência novo, chamado de “Resistência”. Parece um sistema funcional, mas não posso dizer com certeza. Só quando usa-lo efetivamente mesmo.

– Por fim, tenho que dizer que a mecânica de fornecimento de pontos heróicos (A versão dos pontos de ação neste jogo) como suborno para os jogadores (“Ok, o vilão fugiu, vocês não podem persegui-lo, mas ganham um ponto heróico!”) foi uma das idéias mais bizarras e funcionais que eu já vi em um RPG. Mas que faz sentido.

Não sei porque, mas fazia algum tempo que eu estava querendo jogar/mestrar um RPG do gênero de super-heróis. Pelo jeito, M&M vai satisfazer bem essa minha necessidade. Quando sobrar um pouco de tempo, vou ver se reuno meia dúzia de gatos pingados (Leia: Jogadores) para testar o sistema. Enquanto isso, vou tentar criar uma ficha do Dr. Orima, que anda enferrujado pela falta de perguntas para a seção dele.

M.K.