Querido diário…

É sábado, dia préviamente estabelecido como descanso. Levantei-me cedo para registrar uma nova maneira de ensinar ao povo uma tal ciência nova batizada de Físico-Química. Infelizmente a educadora contratada pelo rei desta nação não pode vir, não lembro-me qual foi a justificativa utilizada por ela (lê-se desculpa esfarrapada), no entanto, começo a observar que há uma resistência dos indivíduos quanto a ir desempenhar seu trabalho nesta nova ordem de contratação, intitulada como funcionarismo público.

O que ainda estou fazendo aqui? Bem, escrevendo em ti, é lógico. E concomitantemente em um outro com assuntos mais profissionais. No entanto, o que eu tenho para lhe contar no dia de hoje, é algo surpreendente, um evento que vai ficar marcado em suas páginas como o acontecimento do ano, hum… talvez ficasse se ele não tivesse acontecido há alguns anos atrás, vou descrever como acompanhei… UMA INTERVENÇÃO DIVINA!!!

Quem tirou essa foto minha desprevinido???

Quem tirou essa foto minha desprevinido???

O caso aconteceu fielmente da seguinte maneira:

Era uma noite fria e tempestuosa… (na realidade era um dia bonito e ensolarado, no entanto começar a descrição desta forma é mais intrigante), estava eu em uma floresta linda com bambis saltitando pelas planícies verdejantes. Queria encontrar um exército poderosíssimo intitulado como a “Legião Negra”, era comandado por guerreiros valorosos, em sua maioria monstros. Foi essa peculiaridade, que me impulsionou a vencer meu medo de batalhas e querer registrar o porque da fama deste povo estar se espalhando.

Ouvi rumores em uma taverna, que poderia encontrar este seleto grupo em um lugar isolado da civilização, quando dei por mim estava perdido nesta floresta, que a princípio era até muito bonita, com alguns veados ao redor. Foi neste instante que achei a quem procurava. Estava eu neste momento, coletando algumas margaridas a fim de fazer uma trilha pelo caminho e não me perder, quando de repente, ouvi vozes ao longe, empolguei-me, pois eram vozes masculinas.

Não demorou muito para que eu avistasse pares de chifres aproximando-se, escondi-me atrás de um carvalho grande, grosso e roliço. Logo vi que os chifres pertenciam a dois taurinos fortes e másculos. Acompanhando os taurinos, estavam um Troll bonitão, um humano que atendia por “torneirinha” ou “mangueirinha” ou algo assim, uma gnoma assim como eu, mas com uma espécie de violão, que era maior que a dona (ponho muito mais fé em meu berimbau) e uma elfa negra (digo negra, porque é politicamente correto, mas a cor de sua pele era roxa). Havia também um humano e um anão sem poder de decisão, que os outros chamavam de NPCs ou algo similar.

Conforme eles aproximavam-se, eu ouvia os comentários, algo sobre um monstro terrível, que estava assolando o acampamento, eles estavam tentando encontrar a melhor maneira de dar cabo da criatura gastando o mínimo de recursos possível e, comemoravam com a experiência que iriam conseguir, também os ouvi dizer algo sobre aumento de nível, mas não entendi o que era. Assim que chegaram ao que parecia ser o esconderijo da besta, trataram de arquitetar um plano infalível para atraí-lo. Não consegui ver direito (e nem me lembro), a maneira exata de como a fera foi fisgada. Quando dei por mim, meus fantásticos heróis, estavam escoiceando o vilão, de uma maneira tão surpreendente, que nem me recordo se eles chegaram a ser atacados.

Logo a monstruosidade deu um urro e deitou, estava vencida. Com uma sede de vitória ainda fresca, os heróis decidiram não voltar para junto do grupo, num ímpeto de heroísmo mesclado a insanidade, resolveram permanecer dentro da floresta, que agora, já não me parecia tão segura. “Procurar monstros”, foi o que os ouvi dizer, no momento achei que era algum tipo de cisma sobrenatural, pois o anão e o humano que pareciam não tão integrados ao grupo, insistiam que retornassem para junto dos seus, visto que uma vez que a besta foi abatida, já não havia motivos para atrair perigo.

Em um momento que encarei ser a encarnação da bravura, o troll e o humano dispuseram argumentos sem fim para que a reunião de heróis se mantivesse ali, mesmo que fosse para caçar leões ou ursos, visto que isso serviria para aumentar as habilidades de todos, auxiliando em perigos futuros. Dito isso, o troll puxa algo de sua bolsa, onde logo percebi a presença de magia, atira aquele objeto ao chão que transforma-se em um urso, achei que fosse para lutar ao seu lado, mas estranhamente deu-lhe ordem para que farejasse inimigos, monstros ou animais. Tremi de medo, pois sabia que mais cedo ou mais tarde encontrariam o que tanto procuravam… ou seriam encontrados.

Algo estranho que percebi, foi que mesmo sendo cordiais, o anão e seu parceiro pareciam estar ficando nervosos, não tanto pelo fato de perigos iminentes estarem a volta, mas pela insistência do bando na procura de aventuras. Depois de conselhos instantâneamente ignorados, presenciei o que julgo ser até hoje o momento mais estimulante de minha vida… A VOZ DE UM DEUS. Sim, é isso mesmo querido diário, no ápice da discussão, eis que surge uma voz vinda das nuvens, que soava como um trovão, e dizia assim: “Há é, então vocês querem lutar contra inimigos só pra ganharem experiência né seus filhos da put… Me dê aqui o livro dos monstros“.

Não sei se no futuro, muitas pessoas lerão o que escrevo aqui, mas saibam que essa não é apenas mais uma histórinha de bardo, o fato é verídico. Exatamente no mesmo instante que a voz disse isso, brotaram do ar 43 ogros, sendo que destes, pelo menos metade munidos com arcos e flechas. A batalha foi sangrenta, mesmo sendo muito mais poderosos que os inimigos, o grande número destes fazia toda a diferença. Rapidamente armaram uma fantástica posição de combate inédita, onde todos ficaram de costas um para o outro e lutaram bravamente derrubando os inimigos conforme se aproximavam.

Ficou claro que a mente doentia por trás dos ogros (ui) também tinha seus estratagemas, pois os arqueiros atacavam primeiramente os taurinos, que por sua constituição avantajada pareciam ser maiores e mais robustos. Mesmo sendo guerreiros que atacavam como bárbaros frenéticos, os taurinos não suportaram as incontáveis flechadas na retaguarda, pondo-se a deitar. Logo, percebendo que não havia salvação, a gnoma faladeira tornou-se invisível por um passe de mágica, entretanto, como sou bacharel em artes arcanas, usei de um truque simples para enxergar o calor de seu corpo e percebi que ficastes escondida atrás de um arbusto bem quietinha, esperando que os inimigos desistissem do massacre.

Com os seus incríveis poderes raciais regenerativos e sua fantástica habilidade de “bater e correr”, o Troll moreno ficou na batalha até os minutos finais, mas quando decidiu fugir (lê-se ficar esperto), já era muito tarde, haviam dezenas de inimigos ao redor e não havia misericórdia por parte do deus maligno que era vosso “mestre”. A elfa negra não me recordo bem como ocorreu o seu fim, mas uma coisa é certa, se não morreu pelas flechas, morreu pelas espadas. Quanto ao ladrão humano, conseguiu escapar correndo muito, desapareceu assim que começou a levar uns tiros pela retaguarda, ainda lembro-me de ter ouvido os ogros exclamarem: “Pelas barbas do profeta! Nunca vi alguém correr tão rápido quando está sendo alvejado… Supimpa!!!”.

O anão e o outro, simplesmente sumiram, nunca mais ouvi falar deles, e não soube que voltaram para o acampamento, talvez estivessem ligados ao deus maligno que era também vosso “mestre”.

Depois de tudo, somente a barda gnoma restou no fim da batalha, mesmo invisível e sem ter atacado, gostaria de saber se ela ganhou a tão sonhada experiência que tanto queriam. De qualquer forma, agora ela continua sozinha no mundo…

O mais incrível sobre esta batalha quase épica, é que os ogros não paravam de surgir, mesmo os maravilhosos heróis trucidando dez inimigos, os dados sujos de seu mestre maligno eram lançados e mais vinte surgiam para repor as fileiras abatidas.

Uma observação a fazer querido diário, acho que o “mestre” dos ogros deu a eles a sua própria aparência, pois todos surgiam exatamente iguais, como se todos fossem gêmeos idênticos. Com certeza, seu “mestre”, o deus maligno dos ogros tinha aquela face, baixinhocareca… e barrigudo.

Fim…