Sou muito esquecido as vezes. Bom, sinceramente é quase sempre. Agora anoto tudo que eu tenho de fazer em um pedaço de papel em pequenos tópicos que carrego sempre comigo. Cada tarefa resolvida eu risco da lista. Parece estranho algo assim ser efetivo, mas ai é que está. Nas coisas simples é que encontramos às vezes a chave para resolver nossos problemas.

Senta que lá vem a história…

E o que isso tem haver com o Dados Limpos?!? Sem querer adotei o método que uso para planejar minhas histórias de RPG no meu dia a dia. Quem me conhece sabe que gosto de improvisar bastante e dai vem a origem dessa forma tão simples de preparar uma aventura.

E como fica uma história preparada assim? O propósito é anotar uma historia em pequenos tópicos e deixar que o grupo e o mestre, ali na hora, criem boa parte da história. Claro que mesmo histórias prontas nunca serão iguais por que cada grupo e cada sessão a coisa muda, a rolagem, a idéia dos jogadores e por ai vai. Mas eu pessoalmente gosto de algo bem mais aleatório.

Digamos que eu idealize uma aventura bem clichê de fantasia medieval aonde o jogadores viajando por uma floresta encontrem uma vila totalmente abandonada. O local está destruído por um combate e a causa foi uma tribo de orcs que migrou para região e está escondida nas entranhas da floresta. Eu anotaria no papel:

-Vila semi-destruida

– Tribo de Orcs

Pensando que talvez fique simples demais, ee eu acrescentar a trama Orcs um pouco diferentes? Quem sabe uma tribo que use máscaras assustadoras que empregam um “modus operanti” mais furtivo, desaparecendo e aparecendo através de túneis subterrâneos?

Então eu altero minha nota:

-Vila semi-destruida

– Tribo de Orcs furtivos e usando mascaras ameaçadoras e sinistras

-Túneis Subterrâneos

Pensando agora em personagens, a historia deixaria meus jogadores totalmente isolados? Na maioria das vezes detesto essa opção. Então acrescento a ela possíveis personagens que surgiriam na história:

-Vila semi-destruida

– Tribo de Orcs furtivos e usando mascaras ameaçadoras e sinistras

-Tuneis Subterraneos

Wilbor Fruta-Fresca (ui) – Druida que investiga estranhos acontecimentos na região que andam perturbando a ordem natural da floresta. Nervoso, desconfiado e misterioso. Desconfia dos jogadores.

Jimmy (eu sempre coloco um jimmy, vai entender?) – Pequeno garoto (5 anos) encontrado escondido entre os escombros. Não fala nada, mas parece saber algo sobre a localização dos orcs. Perdeu toda família, chora muito e caso veja os orcs gritará e tentará correr em pânico.

Perceberam que eu coloquei além do nome, uma breve descrição de por que estão lá, personalidade e pequenas idéias de como fazê-lo gerar situações junto ao grupo? Muitos vão perguntar. E as fichas? Pois bem, eu não uso fichas. Uso tabelas prontas do livro do mestre. Não lembro agora a página, mas normalmente adiciona ao lado da descrição dos personagens assim como a dos monstros.

O mais interessante quanto aos NPCs é que normalmente mudo-os de acordo com o clima da aventura e idéias aleatórias do momento. Ver pequenas notas dos personagens não engessam muito minha imaginação e posso criar com mais liberdade.

Depois que crio desafio e possíveis npcs e hora de pensar no encontro com os jogadores. Vou optar aqui por um dungeon padrão mudando a entrada para um caverna padrão para um entrada atrás de uma cachoeira. Legal não? Vamos lá:

-Vila semi-destruida

– Tribo de Orcs furtivos e usando mascaras ameaçadoras e sinistras

Wilbor Fruta-Fresca (ui) – Druida que investiga estranhos acontecimentos na região que andam perturbando a ordem natural da floresta. Nervoso, desconfiado e misterioso. Desconfia dos jogadores.

Jimmy (eu sempre coloco um jimmy, vai entender?) – Pequeno garoto (5 anos) encontrado escondido entre os escombros. Não fala nada, mas parece saber algo sobre a localização dos orcs. Perdeu toda família, chora muito e caso veja os orcs gritará e tentará correr em pânico.

– Entrada do lar dos orcs, caverna atrás de uma cachoeira. Duas entradas. Uma desconhecida pelos orcs.

Aqui vem um momento importante. Criei duas entradas, uma com possíveis chances de conflito (pela entrada do esconderijo) e outra escondida, desconhecida até pelos orcs que a pouco tempo no local ainda não a encontraram. Reparem que esse é o momento clímax (pelo menos para D&D), aonde os jogadores invadem o local e chutam algumas bundas.

Depois anoto quantos orcs devem estar na caverna, página da ficha dos mesmos e ali mesmo no papel faço pequenas alterações nos orcs para se adequarem ao que eu quero.

Acreditem se quiser, Posso terminar minhas anotações aqui. Consulto o livro para descrever o combate com os monstros e o resto eu crio na hora. Posso as vezes anotar uma boa idéia para armadilha, um item mágico que eu ache legal. Tudo fica ali guardado para usar. Ou não.

Vantagens do Método

-Tenho sempre uma historia imprevisível e que se adapta bem ao espírito da situação.

– O Mestre pode se divertir bem mais quando mestra assim.

Desvantagens do Método

– Se você não estiver preparado você pode gaguejar ou ficar sem a fala do momento.

– É muito mais cansativo para o mestre por que ele cria boa parte das coisas na hora.

E vocês, como anotam suas histórias? Muito detalhamento ou pouco detalhamento?