Minha tia e minha prima tentam descrever o carro de um homem que trabalha com frete.

Minha prima: O carro dele é uma pickup.

Imagem extraida do site http://www.noticiasautomotivas.com.br

Minha Tia: Nada disso garota! O carro dele é uma kombi aberta.

E no final o carro era uma Splinter:

Deixando de lado toda discussão sobre como mulheres não conhecem absolutamente nada sobre carros, temos aqui um situação que pode ser muito bem utilizada em uma mesa de RPG e pode ficar perdida por falta de preocupação do mestre com detalhes maiores sobre cultura e conhecimento dos personagens dos jogadores e NPCs.

Momento aonde o simulacionismo abre margem para novas situações que não seriam possíveis sem essa preocupação com a verossimilhança quanto a visão do personagem sobre a situação de acordo com sua experiencia de vida.

Observando o nível de conhecimento da minha prima e de minha tia posso afirmar que:

  • MInha prima conhece menos que minha tia sobre o assunto e dá uma informação errada. Ela sabe que o carro é usado para transporte e acaba usando como exemplo um modelo que não bate com a realidade.
  • Minha tia em contrapartida sabe mais, mas sem saber o nome correto ela na realidade não afirma que o “carro é uma kombi aberta”, mas sim parece com uma kombi aberta.

Temos aqui uma armadilha comum durante a troca de informação com gente que não conhece muito determinado assunto e que pode ser usado com facilidade para milhares de situações em uma mesa de jogo de RPG para surpreender jogadores.

Será que todo morador de um vilarejo que viveu anos no meio do mato e nunca viu um dragão na vida – e/ou muito menos já ouviu falar sobre – saberia descrever um dragão de forma adequada?

Ou o misterioso personagem que estamos procurando em uma movimentada cidade cyberpunk em Shadowrun 4 que foi descrito como um “orc” e na realidade era um humano normal, mas como diziam sobre ele desde pequeno, “feio como um orc”.

Temos situações interessantes no nosso próprio Brasil sobre como alguma informação quando passada para lá e para cá muda de forma curiosa. Foi assim que É a cara do pai em Carrara esculpido virou É a cara do pai cuspido escarrado (sério).

Por que não surpreender os jogadores e quem sabe inseri-los em uma história paralela devido a uma descrição fraca ou no caso do nosso amigo orc… digo, humano, “equivocada”?

Imagem extraida do blog do Carlos Cardoso

Dependendo de quem descreve, nada é o que parece. Vocês sabem me dizer o que está sendo segurado na foto? Acreditem, tem haver com sexo, mas não é nada que suas mentes maldosas estão pensando. É só clicar na imagem que vocês descobrirão o que é.