crítica


Mestre:

Você caminhava sereno sobre os ossos de seus antepassados com passos leves e despretenciosos. Você conhecia aquele vasto campo de morte, aquela neblina vermelha, aquele cheiro de sangue forte irritando seu nariz. Era o campo batalha aonde reside a alma dos seus antepaçados e companheiros que abraçaram a fúria e usaram do aço para ganhar suas vidas.

Você se aproxima de uma figura familiar, sentada a uma pilha de ossos. Era seu pai, com longas barbas brancas e olhos demonstrando claro orgulho. Vocês estão finalmente juntos após anos da sua partida, uma morte triste e dolorosa lamentada demais por ti. Pelo menos até agora.

Seu pai estende as mãos para abraça-lo, não ha lágrimas, mas sim um leve sorriso naquela fortaleza que foi seu exemplo de vida.

Jogador:

Me aproximo dele e:

Peitinhoooooooooooooooooooooooooooo!!!

Jogador de RPG não precisa consumir alcool, cheirar nenhuma substancia ilegal ou coisa parecida para fazer palhaçada em uma sessão. Não sei se é culpa da coca-cola, ou toda a outra besteira que se consome. Minhas mesas sempre foram bem humoradas, parte culpa minha que não consigo deixar as coisas passarem sem uma piadinha engraçadinha aqui ou lá.

Mas tem certas piadas que quebram totalmente a concentração do momento e quando elas acontecem das duas uma:

1) Todo mundo ri, por que foi tão estranho o acontecimento que não teve como ignorar.

2) Alguém vai ficar muito irritado com a piadinha…

Quando o grupo já tem um histórico constante de piadas (de oportunidade) nada de errado vai ocorrer e a opção 1 acontece naturalmente. Alias, na maioria das vezes a opção 1 vai imperar.

A opção 2 acontece em grupos dispostos a jogar algo mais profundo, abrindo caminho em experiências mais sérias (ou você acha que chutar bundas te insere no hall dos maiores pensadores do seu tempo?) e acabam por descobrir um “estranho no ninho”, uma pobre ovelha negra que não segue o pacto de comportamento estabelecido entre o grupo e acaba irritando o mestre e os jogadores.

Convenhamos, quebrar uma historia com uma piada não é bom em todas as mesas, sejamos cuidadoso, POR FAVOR. Senão pode apostar, quando você chegar próximo de uma mesa de RPG  de alguns conhecidos alguém com certeza irá falar:

-Lá vem o Joselito…

E isso você não quer que falem de você não é?

Não é?

Nota: O termo Piada de oportunidade tem direitos reservados ao CF do Covil e suas ótimas tiras sobre RPG.

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A culpa por eu mostrar bundas saradas no meu blog é a crise

Saiu no RPG Online que pais culparam um jogo de luta livre pelo morte do filho que se jogou do alto de um prédio com um paraquedas de mentira. Quando escuto coisas assim a única coisa que me vem a cabeça é uma frase muito usada na minha infância entre os garotos da rua.

Tem culpa eu?

Claro, não soava bem assim, no final virava algo do tipo Tem-Cu-Pa-Eu. Um trocadilho óbvio que, creio eu, seja algo típicamente carioca (se alguém já fez essa brincadeira em outro estado me corrija, por favor). Usa-se sempre quando se quer cortar logo o assunto, quando a pauta já encheu o saco. Um cala a boca bem carioca.

Lembro-me de uma professora em meu trabalho questionando como a internet seria um problema para a educação. Com a internet ficou muito mais fácil copiar e colar textos e mais textos encontrados na wikipedia e google para se fazer trabalhos sem o mínimo de esforço. O problema seria da internet? Da wikipedia? Ou da criança que devido a uma série de problemas que encontramos dentro da educação brasileira não vê valor algum no esforço de se ler o texto copiado?

Eu estou de saco cheio disso. Sério. É muito mais fácil culpar qualquer outra coisa que culpar a si mesmo quanto a um problema pessoal. A culpa é da cachaça, não do bêbado. Se você não consegue um emprego após sua graduação a culpa é da faculdade que é ruim ou a graduação que não vale de nada. Você fez a mesma por quê?

A culpada da vez é a crise, tudo é culpa dela, tudo mesmo. Claro que sempre temos espaços para novos culpados – ou nesse caso alguns antigos – sejam eles o RPG, os jogos de westling ou o “seu Paulo” que mora lá em Jaquatiringa do Sul (o senhor acha que não estamos de olho?). Quem não quer assumir a culpa cria um culpado novo a cada segundo. Ou uma culpa nova para um culpado antigo.

E quando isso para? Talvez nunca. Gente ignorante existe aos montes por ai e não tem nada que se possa fazer. Talvez o único culpado seja eu mesmo, que posso ter sido omisso uma vez ou outra em mostrar para quem não passará a vida toda culpando os outros por seus problemas que RPG não é nada disso do que falam. Esses sim valem a pena o esforço. Talvez ai seja o começo de tudo, o pulo do gato.

Do mais, eu só quero jogar RPG.

Obs.: Esse post foi prematuramente encerrado por culpa da crise.

O Cobbi mandou um post muito bom reclamando e justificando pela milésima vez a confusão que se faz na cabeça das pessoas quanto a Devir e o D3system. Tenho minhas visões sobre o tema e quero colocá-las aqui.

Eu continuo sabendo o que você fizeram lááááááááá naquele verão passado, fotografei, joguei no flickr, gravei no youtube e divulguei no orkut…

Primeiro. Todo jogador de RPG tem uma visão muito ruim sobre a Devir. Isso reflete diretamente na receptividade do publico quanto ao D3system. Infelizmente.

O grupo D3system assume abertamente – até por que alguns já são conhecidos no meio – essa ligação. Lógico, não como representantes da Devir no blog, mas como funcionários e amigos que fora do expediente são a iniciativa D3System. Fora do expediente.

Claro que ha desinformação. Eu mesmo duvidei da história um tempo. Mas houve o Encontro Internacional de RPG, o encontro de Blogs de RPG, eu conheci a Casa de Vidro, no EIRPG a Mesa de vidro (e a lista de blogs quase teve uma lista de vidro…) e comecei a perceber o grande esforço desses profissionais dentro e fora do D3system. Dentro, divulgando nosso hobby, promovendo eventos, gerando discussões, se integrando aos blogs de rpg…

E fora também, sendo a Devir, justificando seus erros, ouvindo, dando a cara à tapa. Não é qualquer quer editor que fica na frente respondendo dúvidas. Existe boa vontade ali e os jogadores deveriam prestar mais atenção nisso.

Em contrapartida existe um problema na iniciativa D3system que atrapalha essa separação. Talvez não intencional, mas com certeza ainda é um problema. Usar o blog D3system para promover enquetes de tradução oficial da Devir ou divulgar notícias escondidas dentro de podcastsdo D3system.

O Rocha do Área Cinza levantou muito bem a questão da divulgação do lançamento de D&D4E, eu já ia escrever isso e muito mais. Em um post anterior eu divulguei – e reclamei – a enquete do D3system para a votação do nome correto para o Warlord. Um problema sério, já que algo assim não seria mais pertinente efetuar em meio de comunicação da Devir como o contato imediato ou na mesa de vidro?!?

Matutando aqui com meus botões, sinceramente acho que a enquete do Warlord – que movimentou comentários e discussões por um bom tempo – teve um efeito muito mais complicado para o pensamento do “jogador médio” que não conhece nada do cenário brasileiro de RPG que a divulgação do lançamento da quarta edição de D&D. Claro que ninguém me ouviu e pior que nem foi mal criação.

O trabalho está indo muito bem e eu reconheço abertamente que o D3system anda se empenhando ao máximo para fugir desse estigma. Mas não adianta, enquanto houver qualquer coisa da Devir sendo aproveitada dentro do D3system haverá sempre um Eu sei o que a Devir fez no verão passado atormentando-os.

E NÃO, eu continuo reclamando quando o que eu quero comprar se atrasa. LerêLerê

Essa pequena brincadeira é uma adaptação do texto Apenas Adicione Escalabilidade! traduzido por Fabio Akita que questiona de forma inteligente a declaração que Ruby on Rails não tem escalabilidade. Espero que gostem.

Apenas Adicione Interpretação!

(Para proteger os inocentes, todos os nomes dos sistemas de RPG citados foram modificados. Qualquer semelhança com nomes existentes é puramente para efeito dramático.)

Ouvi dizer que AnythingRPG é um jogo que não tem interpretação. Vi em fórums e listas de discussões em vários momentos todos alegando esse mesmo fato. Eles alegam que SGRPG e Monstros e Cavernas possuem interpretação, mas AnythingRPG não. Mesmo Contadores de História tem interpretação – Que é visivel pelo nome, eu acho. Então por que AnythingRPG não tem?

Como gosto muito de AnythingRPG, jogo a anos com meu grupo, resolvi ajudar a introduzir dentro do sistema de regras a interpretação necessária que os outros citados possuem. Já tenho experiência adicionando e adaptando regras, já fiz muitas para o Anything e outros sistemas que já joguei, agora não seria diferente… Depois eu disponibilizaria no meu blog, mandaria para  lista de discussão do sistema, mandaria email para editora e para os autores.

Já que AnythingRPG não havia interpretação resolvi buscar a mesma em outro sistema, entender como ela era inserida no mesmo e copiar a idéia. Resolvi começar pelo mais antigo de todos, Monstros e Cavernas, com certeza teria interpretação.

Comecei a ler os livros (muitos pro meu gosto) , fiz um playtest, tudo para ver se conseguiria descobrir de onde viria a interpretação. Descobri que meu jogador Norberto (nomes alterados para proteger a identidade de todos relatados) interpretou muitíssimo bem seu Mago. Em contrapartida Edu e Fabio não foram muito bem com seus personagens. Sempre muito fora do realidade, Fábio mesmo só consiguia pensar em combos…

Frustrado, achando que Monstros e Cavernas não era o que eu imaginava busquei o sistema que todos relatam como cheio de interpretação. Contadores de Historia tem um livro com imagens sérias, suas regras dizem muito sobre interpretação. Perdi horas para ler todas as histórias dos grupos, de como eles eram e por que foram pra tal lugar… Muita historia, muitos ganchos. Criar um personagem interpretativo me pareceu fácil, cada grupo tinha uma personalidade, era só o jogador trabalhar aquilo que a coisa andava.

Uma pena que a coisa não foi bem assim…

Quando começamos Norberto se integrou muito bem ao seu personagem, mas me perguntou se todo personagem que seja do mesmo “grupo” em Contadores de História teriam que ser tão igualzinhos. Nessa hora percebi que a decisão do livro ajudava a atrair jogadores interpretativos, mas ha jogadores que vão passar sua vida seguindo os estereótipos…

Foi o que aconteceu com o Edu e o Fábio… Mais que isso eles sempre jogavam com um grupo de tipinho beeeem violento e sempre concluiam e resolviam tudo com uma sessão de tiros que tornava meu RPG uma sessão de Counter Striker… Definitivamente Contadores de História não trazia a interpretação, ela pelo que percebi facilita.

Mas, aonde afinal está a interpretação?

Nem precisa dizer SGRPG aconteceu a  mesma coisa né? Até no índice, índice remissivo, o que for eu procurei. E nada.

Ainda não encontrei ninguém que sabe adicionar interpretação as regras de um sistema, ou se sabem escondem o jogo! Alguém se habilita a me ajudar? Se souberem me mandem um email. Realmente sinto muita vontade que todos os meus jogadores usem de interpretação…

Depois não querem que eu reclame junto com outros blogueiros dos jornalistas. Depois somos nós que geramos conteúdo duvidoso. Olhem a pérola de desinformação (com os erros em negrito e comentários do Phil entre parenteses) que achei no portal de informação G1:

Em se tratando de mangás tupiniquins, a referência é “Holy avenger”, lançado em 1999 pela editora Talismã, que conseguiu o feito de permanecer quatro anos sendo publicado.

A série se passa num mundo típico dos jogos de RPG (definição extremamente discutível) e foi criada por Marcelo Cassaro, editor da revista “Dragão Brasil” (alguém além de mim não esta achando esse cara um pouquinho desatualizado?), e desenhada por Érika Awano. Foram 42 edições mensais e algumas especiais que chegaram a uma tiragem de 30 mil exemplares com picos de vendas ultrapassando 50% dessa quantidade – um sucesso editorial para os padrões recentes. Foi lançada ainda uma segunda temporada em quadrinhos, “Holy avenger reloaded”, que não durou mais do que dez edições (segunda temporada é o caralho… era só a reedição, não teve segunda temporada). Uma versão em animê chegou a ser planejada, mas o projeto não decolou (na realidade ela ta ai sendo feita, devagar mais está).

Será que o jornalista em questão (quer dizer, deve ter sido o estagiário, só pode) não teve a grandiosidade de nem ao menos ligar para os autores e se informar. Ligar pra editora atualmente responsável pelo menos?

Fonte: G1

 

Me recordo como era em AD&D lidar com os monstros. Sem ND (nível de desafio) para comparação, a maioria dos mestres usava seu bom senso (ou a falta dele) para administrar seus encontros. Nessa brincadeira era muito comum ver grupos sendo dizimados, jogadores mortos era uma coisa rotineira. Quem já jogou AD&D fervorosamente por alguns anos sabe do que eu estou falando, sabe das vezes que reaproveitou fichas por causa do trabalho de fazer uma nova, não?

 

ficha AD&D

Uma imagem da famigerada ficha de AD&D, cliquem nela para ampliar. Reparem lá em baixo o amado Target’s AC, traduzido aqui como TACO. Taco na parede, taco na janela, taco no fogo…

Era uma coisa comum, até hoje é alias, jogadores ficarem contando a vez que seu personagem morreu assim ou daquele outro jeito, algo que parece morbido a principio, mas não era, de tão comum isso se tornava um relato banal, muito divertido até.

Lembro, por exemplo, de uma morte no meu começo de carreira em D&D (o primeiríssimo). Minha primeira aventura aonde fui morto por um Dragão Vermelho que meu mestre como “batismo” colocou para nos matar enfrentarmos. Eu era um mago e fui derrotado (leia devorado) pelo acerto crítico do Dragão, ele havia jogado em cima de mim o corpo de um clerigo amigo nosso que acabara de ser morto por uma mordida dele…

E assim se seguia, era uma época curiosa aonde muitos jogadores auto-suficientes surgiram, mas interpretativos poucos, talvez por isso a birra dos jogadores da linha do WoD com essa galera. Era muito difícil ficar se preocupando com detalhes minuciosos com a historia e atuação do personagem quando você poderia perde-lo nos primeiros minutos de jogo…

 

dragão

Minha primeira morte historia foi mais ou menos assim. O problema era que todo mundo era de nível 1… Ah! E o dragão era vermelho, detalhes…

Dessa época lembro também que surgia os famosos mestres serial killers, psicopatas que se satisfaziam matando jogadores. Não havia muita motivação, você morria quase sempre e acabou. Muitos jogadores dessa época ficavam com a famosa sindrome do mestre-é-meu-inimigo, uma coisa engraçada até. Obviamente esses tipos já existiam e ainda existem, mas nessa época me parecia muito mais comum…

Uma época que passou, ainda bem que temos os Níveis de Desafio não?

Alguém aqui além de mim sente falta de algo daquela época?

Quando se jogava “antigamente” o mundo era selvagem e imprevisivel, você não sabia o que tinha do outro lado da porta, o que você enfrentaria realmente, te dava medo. O jogador sobre essas condições era mais corajoso, diante de uma situação inusitada e muitas das vezes difícil se virava e criava através de sorte e criatividade (senão puro desespero) coisas inesquecíveis.

Os mestres da nova geração me parecem cuidadosos demais. Eles tem medo de ameaçar o grupo e matá-los, acabam tirando um pouco da adrenalina que caracteriza D&D como um rpg de bastante ação. Não estou dizendo para que você mestre, que você deve matar seu grupo sempre para que as coisas sejam divertidas. O que ponho em discussão aqui é que estamos esquecendo que o Nível de Desafio não diz como vai ser sua historia, quem diz como vai ser a historia é você. Pelo menos foi assim que me ensinaram…

Acharam a pergunta meio sem sentido? Estava lá eu em meio a uma partida de RPG e de repente um diálogo aleatório – muito comum no meu grupo – surge sobre as pessoas pela europa que estão assumindo (por puro fanatismo) o jedaismo, que seria a religião dos Jedis. Nada contra, cada um acredita no quiser, até no Lula ainda acreditam, fazer o quê?

Fato que após disparar essa afimação o Alberto se lembrou de um rumor, um burburrinho, que surgiu entre os rpgistas, pelo menos aqui do rio, sobre tornar o RPG uma religião. Falava-se em um número necessário de fiéis e que ao se comprovado o RPG como religião teriamos então poder para calar a boca de quem falasse mal de nós, seriamos religião agora. Quanta palhaçada…

gato.jpg

Olha o gato de peruca rindo de você rpgista… imagem extraida de uma matéria do papo de homem que alias, estou devendo um texto…

Se foi verdade ou não, fico me perguntando de que cabeça surgiu tal ideia tão… tão… tão… a deixa pra lá! O povo que joga RPG (ou errepegê, como diz o sapo) não deve ter muita noção das coisas, será que a massa rpgista é composta quase toda por texugos?

Não, tornar o RPG uma religião de forma alguma resolve a situação, minha opinião pelo menos. Como comentou o Tsu, no máximo, agora se tornaria legal o sacrifício humano em nossas partidas, nada de fazer isso as escondidas ( mas concordo com ele, nada de sacrificar virgens ;D). Cemitérios? Obaaaaa… Que tal andar com roupas de Liveaction no meio da rua? Agora somos todos parte de uma religião, acreditamos que isso irá nos salvar, estamos acumulando xp nessa grande campanha da vida (alguns outros players usariam outros nomes)…

missa rpgistica

Fiéis reunidos para o um novo culto partida

Ah sim! Matar os pais faz parte do ritual de inicialização do rpgista, o Pastor Mestre mandou, temos que obedecer, com certeza meu senhor! Alias, vendo por esse angulo, parece que as autoridades nos veem como uma religião mesmo, só pode. Igreja Universal do Counter Strike, a Assembleia de Caim, ou minha preferida, Igreja RPGistas Universal Evangelista do Sétimo Turno do Dado Cinza (por que cinza é cor de macho, se fosse azul, teria que ser azul marinho e mesmo assim o sujeito teria que andar com uma pistola na cintura só pra me garantir…).

Oremos.

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