Eu não sabia até ter entrado de férias que era tão viciado em internet. O limite entre algo doentio e um habito saudável pode se tornar pequeno e você nem perceber. Quando se mora com os pais existe as vezes um consentimento dos mesmos em que você fique horas no computador (como no meu caso), é a tal da privacidade que pentelhamos eles o tempo todo para ter ou simplesmente é a necessidade que nossos pais sentem de fazer algo sozinhos, enquanto seus filhos fazem alguma atividade que os deixem em paz. Mas ai é que as vezes mora o problema…

Confesso que eu era menos grudado com o computador, mas depois que comecei a blogar me tornei um viciado em informação. Perco tempo além do necessário lendo coisas que nem sempre são úteis e deixar de fazer coisas importantes na sua vida por causa de um computador (ou qualquer coisa) é um bom sinal de que sua relação com essa atividade não está muito saudável…

De certa forma é até aceitável perceber que todo nerd possui uma relação bem compulsiva com alguma atividade como video game, internet, miniaturas, rpg… Enfim, gostamos dessas coisas e as vezes falta um limite da nossa parte.

Meu casamento e meu filho são o que está me salvando. Eu tenho uma teoria de que nossos pais nos dão a base para o que somos, mas muitas manias e hábitos adquiridos depois não são eles que vão mudar. Mesmo você tendo 15 anos e dependente deles, vão ter coisas que eles não vão gostar e você não vai mudar. Depois de um tempo os pais perdem certos poderes sobre seus filhos, vejo isso acontecer bastante e ai o que nos salva somos nós mesmos…

Quando entrei de férias ouvi reclamações constantes da minha esposa sobre eu ficar tempo demais no computador. “Eu estava de férias, por que eu deveria estar de frente para aquilo?” . Eu sei caro amigo, se você tem a ligeira impressão que dorme com os teclados nas mãos de tanto que fica na frente do PC você se incomodaria muito com esse questionamento, eu mesmo me incomodei… Mas… Não é que minha esposa estava certa?

Comecei a perceber que quase todo tempo que eu perdia ali era para checar emails que eu sabia que já estavam lidos, reler coisas, buscar coisas irrelevantes… Se eu estivesse programando ou estudando para uma prova importante tudo bem, mas não era esse o caso. Percebi nas minhas férias que eu estava perdendo muito tempo útil por nada. Nem diversão, era o simples costume de sempre fazer aquilo!

E por que estou falando disso? Ué, até aonde o RPG também não se encaixaria em um habito nerd  com potenciais chances de sermos viciados? Já ouvi cada barbaridade de jogadores que deixaram de fazer muita coisa para jogar RPG. Concordo, se você gosta muito de jogar RPG é de se esperar que você jogue  bastante, mas… Até aonde vai o seu limite? Você deixaria de fazer suas obrigações para jogar? Você fica ansioso quando não consegue jogar RPG?

É bom começarmos a perceber que é muito bom fazer outras coisas, eu não deixei de jogar RPG por que me casei, por que meu filho nasceu. Diminuiu um pouco mais a frequência, mas não ha como prolongar a adolescência, um período aonde eu tinha bem menos coisas para fazer. Muitos nerds gostariam de ser eternos adolescentes e passar a vida toda jogando RPG. Confesso a vocês, sou imensamente tentado a pensar dessa forma. Mas é melhor não.

Não estou chamando ninguém aqui de viciado, não sou eu que vou dizer isso, é você mesmo. Mas achei importante expor o que descobri sobre mim, sobre minha compulsividade. Prefiro que seja eu quem fala, alguém que joga RPG, que está sempre na internet. Nossos pais mesmo constantemente falando, talvez não chamem tanto nossa atenção, a grande verdade é que, querendo ou não, algumas vezes eles estão certos.

Ahhhhh… Lar doce lar.

Todo ser sonha em ter seu próprio lar. Um local próprio para morar, ter sua individualidade, liberdade, viver em familia… Na busca por esse local mágico de descanso acabamos por encontrar inúmeros contratempos. Infelizmente mesmo encontrando nosso “magic place” achamos inúmeros outros problemas antes invisíveis…

Pobre Jedi…

Agora imagine isso em um mundo fantastico aonde ha um monstro escondido a cada esquina? Que segredo obscuro aquela casa de valor tão vantajoso deve esconder?

Cotídiano Épico vai ser uma sessão nova no Dados Limpos que tem a proposta de pegar nosso cotidiano e pensar em como seria o mesmo na fantasia. Além de cada tópico gerar boas risadas dará também boas idéias de aventuras em um clima um pouco diferente do normal.

Plots possíveis (e impossíveis)

Você está em busca de local confiável (hahahaha) para comprar uma casa. A 1001 possíbilidades aqui:

  1. Uma imobiliária mágica controlada por um mago/criatura mágica/outra-coisa-fodônica-e-mágica, mas que não é tão fácil assim de ser achada… Um local difícil de achar, quem sabe com uma charada que leva a um tour por toda uma cidade nova e misteriosa.
  2. Degur e sua esposa Darma após tantos anos de aventuras resolvem ter um filho. Mas para isso precisam achar uma caverna apropriada para morar e cuidar da criança…

  3. Uma Imobiliária que a cada casa oferecida leva seus jogadores a uma verdadeira aventura. O singelo “casa de frente para o mar” é de frente para o mais perigoso dos mares aonde [insira aqui seu monstro marinho predileto mestre] aparece de vez em quando para se alimentar/saquear/se-divertir/destruir-sua-casa.
  4. A Armadilha. A casa oferecida tem um preço duvidosamente bom. Motivo? Ela é instrumento de um golpe para um grupo de ladrões que aproveitam saidas e entradas secretas existentes na casa para roubar os jogadores.
  5. Vizinhos Estranhos e/ou Barulhentos: Morar ao lado de um inventor que faz estranhas experiencias muito barulhentas. Descobrir que seu vizinho é um necromante criando um pequeno exercito particular de mortos-vivos… Nem tudo são flores. Adicione ai uma convite para almoçar na casa dele ou você convidando ele para almoçar na sua casa… O clássico da sessão da tarde Meus vizinhos são um terror
  6. …E então a muito custo acham a caverna dos seus sonhos… [Aluga-se caverna de espaço amplo, inúmeros corredores. Estrutura forte, excelente estado de conservação. 3 meses adiantado ou Fiador ]…

  7. Casa Amaldiçoada / Assombrada: Clássico. Sem muito o que falar. Pode transformar uma sessão de Dungeon Dragons se bem feito em algo assustador.
  8. Um dia a casa cai. Já imaginaram uma casa que parece muito bonita, mas com um sopro ela pode cair? Cada comodo é uma verdadeira armadilha natural. Algo que nem precisa ser mágico. É só azar mesmo…
  9. Operação Limpeza. Esqueça a compra ou aluguel da casa. Você trabalha para uma imobiliária e você faz parte do “grupo de limpeza”. Seu objetivo? Tornar casas problemáticas “habitáveis”, expulsando possíveis invasores do local e redondezas.
  10. Não pagou tem que sair. Pode se aliar ao item 7. Você precisa cobrar / expulsar um morador mal pagador. Mas é muito complicado fala isso para aquela familia de orcs…
  11. Você consegue achar a casa que você tanto quer. Mas para tê-la precisa trazer documentos que nem você imaginava que existia. Agora é voltar para aonde você nasceu e conseguir seu registros de nascimento que foram roubados pelo dragão que saqueou e destruiu sua vila, autenticar todos eles no mago misterioso que registra documentos magicamente, “reconhecer guilda” no castelo…
  12. …Infelizmente o antigo morador da caverna quer voltar a morar lá e também deixou uma proposta de alugel na imobioliária. Vai ser muito difícil Degur ganhar a disputa. Dragões possuem prioridade 1 no alugel de imóveis. São bons pagadores, bons vizinhos (saem pouco de casa) e são bem difíceis de  lidar caso você diga que a proposta dele de aluguel não foi aceita…

  13. Casa própria é uma ilusão. Mesmo. O mago FDP que te vendeu a casa lançou uma poderosa ilusão sobre o local e você comprou uma casa feia e acabada pensando que era a coisa mais linda do mundo de campanha. Se quiser, adicione aqui qualquer outro item da lista que relate uma casa com problemas.

Vantagens em se ter uma casa

Considere para fins de recuperação de pontos de vida, em sua casa você recupa o dobro que recuperaria normalmente com um longo periodo de descanso. Existe um fator psicológico maior por estar em sua própria residência que faz toda diferença do mundo.

Caso a casa traga muitos problemas ao morador ele pode peder essa vantagem de recuperação (de dobra-la) já que perde mais tempo resolvendo esses assuntos que descansando.

Casas Amaldiçoadas

Existem casas impregnadas com alguma maldição que impedem completamente seus moradores de recuperar suas energias. Dentro desses locais o personagem pode ser infenizado por uma série de males:

  1. Não conseguir dormir por causa de assustadores pesadelos.
  2. Não conseguir recuperar pontos de vida. Por algum motivo a casa não deixa você regenerar seus ferimentos dentro dela.
  3. Penalidades em atributos variando de -2 a -6 que podem ou não aumentar com o tempo gerando risco até de morte dos moradores.
  4. Magias de cura não funcionam dentro da casa ou ficam mais fracas.
  5. Todos que morrem na casa viram espiritos que ficam presos a casa e não morrerão até a maldição ser destruida.
  6. E por ai vai…

Adicione todos esses efeitos ou somente alguns deles. Uma opção interessante é rolar no dado – nesse caso 1d6 – assim escolhendo aleatóriamente um efeito para casa.

Casas podem deixar de ser amaldiçoadas através de magias de anulação poderosas ou através de alguma aventura que envolva a história da casa.

Rolando aleatóriamente os problemas

Reparem que listei 10 plots possíveis para problemas alugando/comprando casas. São 10 problemas e fica a critério do mestre quando os jogadores buscarem por um lar escolher aleatóriamente ou não com 1D10. Alguns dos plots não se encaixam diretamente como uma opção de “casa com algum problema” como as opções 7 e 8 e ai cabe ao mestre criar um novo problema ou simplesmente rolar novamente os dados.

O mesmo vale para as maldições de uma casa amaldiçoada. Os 5 itens podem ser rolados em 1d6 sempre ignorando o 6 ou o 1.

Fiquem a vontade para inventar novos problemas aumentando o tipo de dado usado (1d10 vira 1d12, 1d20…) e se quiserem citar aqui terei todo prazer de acrescentar a lista (com os devidos crédito ao blog ou pessoa).